O tempo e os lugares.


Há momentos em que o tempo é tão curto e a cidade parece uma casa gradualmente vazia. O desaparecimento das pessoas torna óbvia essa circunstância.
De repente, vamos pensando quantos dos nossos sítios já se esvaziaram, sendo que a tendência é que aumente o número de coisas inabitadas e a sensação de quarto vazio, de casa vazia. Porém, essa é a narrativa possível, ainda assim com alguma beleza, ainda assim agarrada fundamente ao privilégio que foi termos andado por cá, assistindo e partilhando o tempo em que tudo estava cheio, em que tudo parecia transbordar e tinha a fascinante e enganadora sensação de infinito.
Há coisas assim banais e rotineiras mas que não deixam de pertencer aos tesouros do nosso tempo, àquele pedaço da nossa vida que entregámos ao inesquecível, ao nosso, tão protegido, para sempre.

Comentários

Anónimo disse…
Boa

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