Que obra há em mim?

Que obra há em mim que não seja de mim
o entendimento do mundo?
Que mundo há em mim que o não entendo
e sendo obra apenas alcanço
se por naufrágio ou só descanso
meu amor nunca abandono?
E se assim for que sina vã
trará meu rasto, que louca e vazia
marca deixará meu dia,
que de amor seu coração nunca esvazia?
Pois os meus textos sepultados,
em fogo ou água despedaçados,
não sairiam nunca de seus olhos,
já que mais não foram essas palavras
que sobre si uma oração
e desta vida o gesto ténue e a condição.


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