Entreaberta.

Tenho uma janela entreaberta para o mundo. Vou-a abrindo cuidadosamente, para que não fuja a intimidade, para que não entre frio algum que eu não seja capaz de suportar, para que não saia rumor de nada que não possa ser oferecido à liberdade.
Tenho uma janela entreaberta e deixo aí testar o sol, a sombra das chuvas, a luz da manhã e o seu desmaiar muito cedo nas tardes de inverno.
Tenho uma janela como se tem um braço capaz de abarcar quem é de dentro ou uma mão muito sábia que para além da própria carícia sabe devolver em verdade a sua memória e a sua sevícia.


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