O fato do tempo.

pintura de César Taíbo - série «Bustos»
Talvez te vista de festa. De fato riscado, de camisa lilás. Talvez te prepare o mundo como o mundo já não é.
Digo que poderias ser uma espécie de homem sem tempo e sair pela noite à espera de te surpreenderes com o silêncio e com a beleza. Com o silêncio que advém da roupa das mulheres e na música que liberta essa indumentária que poderás pensar que é para ti, uma vez que já não existe nem é deste mundo.
Já morreu essa beleza e desse silêncio poderá abrir-se um infindável pacto com as idades que ainda não viveste e que já morreram também.
Talvez te prepare o mundo como o mundo já não existe.
Ouve. Há uma música qualquer, uma aragem, uma noite, uma rua e um desconhecimento que te empulga o que sabes não ser dos teus dias.
Pronto. É só assim que consigo expressar-te a saudade, a melhor de todas, a que te fala do que talvez nunca consiguerás ser, mas que alimenta tão bem o melhor que diariamente de ti rebenta.


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