Os objectos.


obra de Joseph Beuys - Felt Suit

Toma a história dos objectos. Contenta-te com ela. Entra nos objectos e encontra-me. Ama-me dessa forma. Só existe amor verdadeiro se conseguirmos amar a ideia do outro nos seus objectos, permitindo que nos invada nos nossos.
Vai fundo nessa viagem. Encontra-me e reencontra-me por ai. Olha até que doam os olhos ou até que desse instante possa nascer uma frase qualquer em que te sintas e te revejas na pluralidade que conseguimos ser.
Toma-me nos objectos. Habita-os. Cria aí a casa e a alegria, a fuga e o desespero, a liberdade.
Deseja-me como se desejam as coisas de que ainda desconheces o nome, e enquanto desconheceres o nome chama-me e chama por essas coisas. Se não souberes, isso será o amor, o amor é esse desejo de chamar pelo que se desconhece. Toda a História da Humanidade sabe disso e sempre soube viver com isso.
Toma-me nos objectos. Há mais de mim aí do que por vezes no meu corpo. Há muito que viajei para fora do corpo e só o uso quando me apetece contar as histórias sobre esses objectos onde me encontras e te surpreendes ou em todos os outros de que ainda nem sequer suspeitas. Só uso o meu corpo para te contar histórias. Histórias bonitas sobre as coisas que ainda não conseguiste inventar mas que já sou eu, só porque tu queres. Só por isso.

Comentários

Mensagens populares