A cidade da tua pele.

Tenho uma cidade para levantar na tua pele. Com chuva. Com silêncio e escuridão. Com sonoridades exteriores a arrombar no coração as histórias que não sendo suas fazem-lhe acelerar o ritmo.
Tenho uma cidade para levantar e percorrer. Absorvo-lhe ao máximo a solidão. Não há imagem mais bela do que a da solidão sobre a pele de um corpo que espera. Não digo uma palavra. Vou andando. Espero que me adivinhe e me deseje. Deixo que a noite me acompanhe nessa investida.
Recordo um trecho de música e permito-me pensar que já tiveste uns olhos muito parecidos com ela. Paro. Solto na face o frio nocturno da cidade. Invento nisso a liberdade toda que aprendi ao longo da vida.
Recordo que tens uma cidade na pele. Toco-lhe plena e fundamente. Fossilizo-me aí como quem se lança sobre o tempo e decide não lhe dar mais importância. Sigo o caminho e olho para trás, porque do lugar onde estou deitado conseguem-se ver os teus olhos e isso mostra que esta é também uma cidade com luar, com o mais belo luar de que falam todas as fábulas que eternizaram encontros e desencontros em cidades encantadas como esta onde me deixas, sempre que do amor descansas.


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