As árvores e o nosso tempo.


foto de Margarete colhida em http://assobiodasarvores.blogspot.com/

As árvores resistem-nos inúmeras vezes. É bom que assim seja. É melhor para o depois de nós. Mesmo assim, ainda me entristece o facto de não haver muito tempo para vivermos com elas, como se vivia antigamente. Já não há grande espaço para que nos encontremos à sua sombra e possamos partilhar com os filhos o seu crescimento, ou gravar nos seus troncos os nomes e as vontades de infindáveis amores.
Tenho a sorte de ter no jardim uma nespereira que foi plantada pelo meu pai. Já falei dela aos meus filhos. De algum modo, é algo que continua vivo e que foi obra sua. Este ano comeremos as nesperas da árvore do avô e um dia, um de nós há-de descansar do calor do verão na sua sombra, e aí será também o sorriso do avô a devolver-nos a frescura. Pelo menos é assim que entendo as árvores e é deste modo que as vou entregando, para ser melhor o depois de nós.

Comentários

Anónimo disse…
É o único ser vivo que morre de pé e é também aquele que mais nos sublinha a efemeridade das nossas pessoas. Por isso, cortar um árvore é cortar uma boa testemunha das vidas.

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