Ser Livre e Ser Humano.

(foto de Manuel Meira )
Dia da liberdade na minha terra. Assistimos por cá a algo inimaginável noutros tempos, juntando David Munir, imã da mesquita central de Lisboa, e o Arcipreste Padre Pedro Daniel numa oração à paz em árabe e em português, junto do monumento aos combatentes mortos durante a guerra colonial.
A liberdade faz-se maior e faz-se melhor com gestos como este. Não é tanto pelas religiões, pelas pessoas envolvidas, é pelo simbolismo que encerra o juntar os humanos, o juntar as energias, o juntar as diferenças, o fazer caminho assim de perto.
Estávamos lá crentes, ateus, agnósticos. Estávamos lá porque entendemos que é preciso chamar a atenção para os preconceitos que vão justificando as guerras. Estávamos lá porque é preciso chamar a atenção que os homens e as mulheres são humanos e que a humanidade não é automática e tem de ser construída, sob pena de, se assim não for, passar a ser uma narrativa com tudo de trágico que isso pode significar para os tempos.
Será inesquecível esta manhã com o soar das palavras cantadas em árabe e ditas em português, será inesquecível o som do «Toque do silêncio» interpretado em trompete pela nossa Beatriz, estudante de música da Academia José Atalaya, em memória dos que de Fafe foram morrer na guerra em África. Será inesquecível porque começou por ser humano, depois poderá ser o que cada um de nós quiser. Mas fomos humanos todos juntos para começar. E isso basta para que se não esqueça uma manhã assim.

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