Os limites.
É preciso reinventar os limites. Traçar na miragem do tempo as opções, esse corpo insubmisso e puro onde o universo nos cresce por força de vermos de perto o horizonte do outro. É preciso que sejamos o outro vezes sem conta para sermos o eu mais fundo e duradouro.
Quantas vidas teremos? Se uma for viveremos para quase tudo deixar intocado e será uma ilusão o termos sido alguma coisa na engrenagem do mundo. Se muitas outras, seremos dessas o desconhecimento absoluto, o segredo dos deuses.
Mas quantas vidas teremos numa só vida? Certamente as que mostrarmos. Se não mostrarmos morreremos sem nenhuma, pois até nós mesmos que o sabíamos não estaremos cá para nos sobreviver.
Não importa a finitude. Importa que saibas de mim com eu sei de ti. Quero que saibas que te esbanjarei por tudo que faço com os outros só para que não morras em mim.
Somos às vezes as mais serenas sepulturas de nós mesmos. Por isso, o que aprendi contigo dividirei com o mundo. O que amei de ti amarei com o mundo. Amarei até que se confunda o bater do coração com o natural pulsar da terra, o natural pulsar dos outros. Poderei partir então. Mas não irei só. E sobretudo nunca te deixarei morrer.



Comentários