Os lugares.


A luz de Lisboa, os passos em torno da nitidez da juventude, as sonoridades de muitos anos, as vozes que não voltaram mais e que ficaram para sempre a ser a cidade.
Os lugares a terem um corpo que se acaricia como se dele nos estivéssemos sempre a despedir. É assim que se ama um lugar. É esta indissociabilidade, este ser inteiro que nos ergue no mais digno caminho do tempo.
A arte de envelhecer é das mais belas e de maior risco. Mas é também a que mais vale a pena aprofundar pois há um ser magnificamente desconhecido que nos espera, desde o dia em que nascemos, e que está cada vez mais próximo e a quem devemos contar a vida que deixámos. Daí que cada vez mais ame os lugares e que, cada vez mais, os seja, porque contar por contar que contemos demoradamente os lugares onde ainda se sinta o bater do nosso sempre último coração.  

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