A oferta.


Revisitar as flores de David Hockney e retomar o quotidiano deste início de século quando, inverno dentro, descobria pintores e suas obras, quando, inverno dentro, escrevia com elas e sobre elas, quando, inverno dentro, parava de ser o que era para ser também as coisas que via.
De minha casa vêem-se as flores de Hockney e ouve-se a chuva misturar-se com as músicas de uma vida, marcando para sempre as estações. Distribuímos músicas pelas estações, textos pelas estações, pessoas, emoções, despedidas pelas estações.
As mais belas despedidas são as que conseguimos fazer com o tempo de um ano. Despedirmo-nos de uma estação é de uma beleza rara se pensarmos que nunca mais voltaremos àquela estação, que não seremos os mesmos e que, se regressarmos, seremos o que fomos somado ao que somos e ao que pensamos que poderemos vir a ser. 
O David Hockney, numa altura da sua vida, desenhava flores todos os dias e oferecia-as como se fossem flores verdadeiras. É curioso entender que as flores que ofertava além de verdadeiras, ofereciam também a verdade. A dele e a de quem as recebia. Haverá mistério mais belo?


Comentários

Mensagens populares