Fossem talvez os jacarandás a fazer as silenciosas perguntas
quando chegavam os dias longos e a nitidez das impronunciáveis
palavras.
Fossem os passos absolutamente últimos por serem primeiros
a guardarem quase perversamente o fascínio do desconhecimento,
desnomeando um futuro certo que nunca existe por um incerto passado.
Fosse a confusão descarnada do presente
a guerrear a ganância dos tempos
para chegar ao paraíso possível de não haver tempo algum.
Fosse a despedida que é o melhor termo
para falar docemente de uma chegada.
Fosse o mundo a sua ideia e o seu desaparecimento,
para tocar tão levemente o corpo inexistente do que guardámos
para termos alguma coisa que amar
e ser a seguir a alegria despropositada da mais digna tristeza.
- Sabes, às vezes rimos por sermos sós
ou gargalhamos pelo que não seremos,
sendo que o não ser futuro só existe na explícita evidência do
passado.
O tempo é o que temos, é só o que temos,
mas sabe-se, desde que nascemos, que ele não existe,
senão na forma rectilínea da nossa morte.
E a morte, de igual modo que a vida, não existe,
a não ser no que vai ficando pelo vertiginoso sentido
do tempo dos outros que nos guardam
para irem desaparecendo connosco,
como um comovente milagre
ou a possível perfeição dos humanos.
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