Regressos.
Encontrar a forma de retornar à tarde das coisas um tanto paradas na fundura do Tempo. Devolver ao horizonte a parte insuspeita do coração. Saber do que se perdeu por tudo aquilo que se deixou e seguiu viagem connosco, numa quase perfeita noção da lonjura.
Sabemos o que é longe em tudo que de rente não dispensamos.
Guardamos a tarde. Uma infinita fortuna irrompe-nos do peito. Somos mortos. Mortos que deixam ao mundo histórias irrepetíveis. Deixamos que o mundo nos herde e vamo-nos acabando na construção do mundo. É assim a vida. A nossa? A do mundo? Que importa? Importante mesmo é que seja a vida.
Não vemos para muito mais longe do de antes de nós e não vemos para muito mais longe do de depois de nós. E contudo somos. Somos na desmedida do Tempo. E é nessa desmedida a nossa fortuna e a nossa maior dádiva.
Encontrar a forma de retornar e esperar ser outro, esperar esse desconhecimento como quem se comove com o universo indizível. Retornar sabendo que o que queremos mesmo é não parar de nascer.



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