Para um dia.


A dormir te pesa a humanidade. As ruas são as impressões digitais do que foi passando. Deitado no fluxo dos sons e das impressões dos outros, és capaz de comunicar com os teus próprios olhos e perguntar. És capaz de erguer uma canção para a tua própria voz e entoá-la baixinho enquanto caminhas, tocando com a tua passagem a face do vento. Talvez, consigas ser livre nesse instante.
Contudo, o mundo não pára de morrer e de nascer e tu não páras de sentir e de te despedir das coisas. Se alguma vez fores um sábio, não deixes, por instantes, de chamar pelo coração e pára. Fica quieto a sentir a brisa que daí virá e sente que um dilúvio te poderia chegar aos olhos e só o que o olhar guardou seria a nau e a arca onde tudo depositaste para salvar, um dia.

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