Os livros e as circunstâncias.

Amanhã apresentarei o meu novo livro em Fafe. Na Biblioteca nova. Ainda bem que não tenho de voltar à sala romântica da velha Casa da Cultura, onde, ao longo de dez anos, tive sempre o meu pai na plateia.
Pela primeira vez, estarei sem ele. Também por isso decidi apresentar este livro primeiramente na minha terra. Foi preciso. Faz parte do luto. Faz parte da sobrevivência. Nunca percebi tão bem o quanto amava o meu pai como desde o momento em que ele deixou este mundo.
O meu pai foi um homem extraordinário. Tinha ideologia e tinha valores, tinha sentido estético e era um contemplativo por natureza. Tudo o que sei sobre o lado contemplativo do mundo lhe devo, à sua expressão de espanto e de regozijo perante a vida, à sua crença nas pessoas, ao seu deslumbre perante o mundo.
Amanhã apresentarei o meu novo livro e quase tudo que lá está escrito foi o meu pai quem mo deu, como quase tudo que escrevo. E nem assim a dor é menor. E nem assim a saudade me deixa. A saudade existe como um bicho furioso que nos morde e só descansa quando já quase nada significarmos. O meu pai há-de ser sempre o meu melhor livro, penso eu nesta noite, nesta véspera.


Comentários
Porém, e as raízes dos que, desinteressadamente, nos ajudam a saber escrever?