Erguer.

O tempo arrefeceu como manda a quadra. Ontem bebi uma colheita de Syrha com Touriga Nacional, de 2005, cozinhei um jantar que teve no prato principal um peru recheado com ameixas pretas, pasta de azeitona e presunto, acompanhado com batatas em leque recheadas com bacon. Acendi a lareira, as velas do centro da mesa. E esperei pelos amigos e pela felicidade. Aqui e ali foi aparecendo mas, no fundo, no fundo, eu queria mesmo era não ter chegado a este tempo.
Dizem os de fora e mais experimentados que faz parte da vida. E é verdade. Contudo, também é próprio que andemos algumas vezes em círculo e a perguntar por tudo e a refazer o ninho, como os bichos que, com regularidade, tudo perdem.
O frio continua e apesar da realidade em que vivi este Natal, até ajuda a que o ninho seja a primeira emergência da felicidade que se evidencia a partir da perda. Erguer a felicidade parece-me hoje um invento magnífico. A memória do Syrha de ontem também.


Comentários