Os portos.


Os portos onde atracámos invernos,
onde lhes escutámos a música,
onde guardámos os ventos
deixando no olhar a perdição e o espanto.

Os portos onde cerramos as mãos
e perguntamos por rotas
que foram da nossa o seu desvio
e a sua glória ou rendição.

Os portos onde atracámos invernos
e perguntámos por tudo,
como se isso estivesse guardado
no frio e no vento
e não no olhar que aos portos deixámos
tornando-os inesquecíveis e duradouros
na forma como escolhemos ir morrendo
pela novidade do mundo.

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