Os oceanos.

Os oceanos são uma parte da comoção do mundo.
Por isso se atravessam e, também por isso, gostamos de os contemplar ao longe, de escutar o seu ritmo, guardando-os como se fosse possível deles acolher toda a profundidade e nada saber sobre a lonjura, sobre a lonjura que nos desliga do sofrimento do mundo e apenas nos relata viagens, como se fôssemos antigos, muito antigos, como se fôssemos uma carta de marear sobre os nossos próprios abismos, ou os nossos mais limpos sentidos.


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