O café.

Um café onde guardar a manhã. Deixá-lo assim sobre o imponderável mais apetecível das coisas. Perguntar pelo nosso gesto na abertura do dia. Ser uma espécie estranha que confronta o silêncio contra o que ainda não foi erguido sobre a beleza ou a evolução do mundo. Perguntar aí pela liberdade. Perguntar por si. Marcar um pacto com o que fomos e sobre aquilo de que nunca nos arrependemos. Atirar para a manhã a desavergonhada certeza da mortalidade e, antes do último gole, dizer para dentro com o olhar não se sabe onde:
-ninguém viverá por nós!


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