Uma fotografia de Nan Goldin


NAN GOLDIN

Nan Goldin é uma das minhas fotógrafas favoritas pela violência poética que possuem as suas imagens, pela narrativa que estimulam, pela inevitável viagem por uma sensibilidade que vindo delas questiona a nossa e os nossos limites.

Do fundo das minhas histórias, existe uma estrada que leva a um quarto e do fundo desse quarto existe um país e personagens que roçam nos nossos olhos a estranheza com que erguemos corpos e respostas sobre um tempo que, estando longe de ser nosso, também é o nosso.
Espera-me. Talvez possamos ficar com essa máscara e sermos felizes ou infelizes como nas mais belas histórias. Eu trago uma canção para te falar dela. E enquanto eu te contar tudo que sei sobre isso, tu vais trauteá-la sem palavras, não porque as não saibas mas para que possas viver nessa canção com o quase nada que te trago acerca dela, mas que vem do mais fundo que o mundo possa ter experimentado.
Espera-me. Não desistas ainda, porque morrer por morrer que o façamos onde o amor é um risco de imprevistas linguagens e de coisas que nunca se julgaram dizer ainda que não distingas onde começa a sua estranheza e um odor que vem da pele que é a nossa e que não distinguimos, nem perguntamos nada acerca disso, por ser isso o amor e esse o seu pacto mais duradouro.
Espera-me. Estou do lado de dentro da pele e tenho uma casa com compartimentos cheios de sombras e de feridas, de canções e de frases onde nos acumulam e raramente nos alcançam. Espera-me, que eu estou em fuga e a morrer de cansaço por não me saíres do horizonte. Espera-me, que estamos a rir, ou a morrer de fadiga ou a morrer de qualquer coisa ou por qualquer coisa e, aí, nada há de mais genuíno no amor.

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