Esconde-me.
Esconde-me a pele por detrás desse teu rumorejar
e constrói aí um exílio e a razão de uma guerra.
Esconde-me como só aos foragidos é possível
e anda comigo pelo mundo como se ambos pudéssemos
mudar de sítio os corações e de peito todos os gritos.
Esconde-me onde só o lamento chega e a felicidade se demora
com a comoção de ver parada no olhar mais fixo
a última lágrima do que julgaste ser a única causa
ou a última mão onde exilamos o gesto
e partimos devagar para a morte das coisas sem retorno,
tudo por que vivemos.


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