“SÃO CRAVOS“: a antologia da nossa liberdade.

 

Fotografia da Capa de Alfredo Cunha

Chegaram, hoje, notícias do poeta Luís Aguiar sobre a novíssima antologia de poemas em torno da revolução de 25 de Abril de 1974, editada pela Labirinto. 

Um privilégio fazer parte dos autores que lhe deram corpo. 

A liberdade levada ao infinito é o nosso destino. A liberdade inteira dos Homens, com todo o seu heroísmo e com todas as suas falhas. 

Um velho amigo e democrata, Ângelo Medon, sempre repetia face aos erros e ao que não estava conseguido ainda: “A culpa nunca é da Liberdade!”. 

Vivo, ao longo de décadas, com essa sua certeza tão forte e tão doce. E, para mim, esse é o juramento que basta. 

Fica o poema que entreguei à antologia: 



25 DE ABRIL DE 1974


A luz tinha a minha infância,

a mais secreta, tão suave quanto a pele

ou a expressão dos que na rua passavam 

e nos sorriam sem condição.

Recordo-me nela. 


A notícia pousou sobre as vozes da casa

e depois da praça 

e era um bicho de expressão indomável.


Durante muito tempo, 

a manhã erguia-se anualmente 

ao som da marcha do MFA e de morteiros. 

E esse som anunciava as primaveras todas, 

mas sobretudo as futuras.


A luz escrevia as palavras que faltavam,

despia da treva as cores 

que só pela dor se tinha imaginado

e desenhava nos lábios 

a incompletude do beijo, do sussurro,

do que havia por clamar.


Despontei desse dia.


Mas o que ainda atormenta e inquieta 

a cada instante é a rima: 

Liberdade sempre rimou com saudade.

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