“SÃO CRAVOS“: a antologia da nossa liberdade.
Chegaram, hoje, notícias do poeta Luís Aguiar sobre a novíssima antologia de poemas em torno da revolução de 25 de Abril de 1974, editada pela Labirinto.
Um privilégio fazer parte dos autores que lhe deram corpo.
A liberdade levada ao infinito é o nosso destino. A liberdade inteira dos Homens, com todo o seu heroísmo e com todas as suas falhas.
Um velho amigo e democrata, Ângelo Medon, sempre repetia face aos erros e ao que não estava conseguido ainda: “A culpa nunca é da Liberdade!”.
Vivo, ao longo de décadas, com essa sua certeza tão forte e tão doce. E, para mim, esse é o juramento que basta.
Fica o poema que entreguei à antologia:
25 DE ABRIL DE 1974
A luz tinha a minha infância,
a mais secreta, tão suave quanto a pele
ou a expressão dos que na rua passavam
e nos sorriam sem condição.
Recordo-me nela.
A notícia pousou sobre as vozes da casa
e depois da praça
e era um bicho de expressão indomável.
Durante muito tempo,
a manhã erguia-se anualmente
ao som da marcha do MFA e de morteiros.
E esse som anunciava as primaveras todas,
mas sobretudo as futuras.
A luz escrevia as palavras que faltavam,
despia da treva as cores
que só pela dor se tinha imaginado
e desenhava nos lábios
a incompletude do beijo, do sussurro,
do que havia por clamar.
Despontei desse dia.
Mas o que ainda atormenta e inquieta
a cada instante é a rima:
Liberdade sempre rimou com saudade.



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