A casa.
Há um fita de tempo sobre a história de uma casa por onde passei há quase duas décadas e onde fui feliz os dias todos. Era o, então designado, Instituto Português da Juventude. Fui o seu último Delegado Regional.
Ontem, deparei-me com essa memória inscrita na parede do que, hoje, é o Centro de Juventude de Braga e também a sede do agora Instituto Português do Desporto e Juventude.
Pediram-me para dar um testemunho e fi-lo com um prazer e um sentido de reconhecimento como raramente me acontece.
Falar daquela casa é falar das pessoas que a fizeram e a fazem única. Há lugares onde a entrega e a convicção são de tal ordem que quase se não distingue a pessoa da missão.
Naqueles anos, formámos uma equipa que abraçava as causas dos jovens que um ali vinham e, ao seu lado, fazíamos caminho. São, hoje, tantos deles admiráveis paisagens.
Na fita do tempo, veio-me à memória que um dos segredos era partir da ideia de não pensar pequeno, de quase não haver impossíveis e de nunca se poder falhar com quem vinha buscar-nos para partilhar a vida.
Naquela casa os jovens não são utentes, são pessoas que nos buscam e nos escolhem para partilhar uma parte da sua vida. Isso responsabiliza-nos infinitamente. Daí que cada um tenha de estar inteiro e levar ao limite a entrega para não ensombrar a busca.
Ontem, ao rever tantos que vieram de tantos lugares, só a palavra gratidão me veio à lembrança. Estar grato por ter tido a oportunidade de ajudar ao seu lado, de ter visto daí algumas das mais admiráveis paisagens humanas. E dizer sempre que é inesquecível a viagem e que são inesquecíveis todos quantos dela fizeram parte.
Se o mundo coubesse naquela casa seria tão natural, fraterna e ilimitada a forma de o inventar.




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