Os pássaros da nossa praça.
Regressamos aos dias
para sermos os pássaros
que irrompem nas primaveras
de que há memória.
Regressamos para um cruzar de asas
que toca em velocidade
a invenção dos lugares
e os deixa rasto em calmaria.
Regressamos à memória do voo
e à desimportância do tempo.
Dos pássaros da nossa praça
só nos havemos de lembrar
quando na paisagem nos confundirmos
e pudermos ser, ignorando,
a ingenuidade do canto a entardecer
sobre as árvores,
adormecendo a natural ideia de termos vivido
com a inocência e a voracidade das estações,
sem nunca delas termos saído.



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