Suportar a ausência.

Nas ruas procura-se apenas o que ha-de sustentar a nossa vida quando não existirem os que amamos, sejam eles coisas ou pessoas.
Nas ruas como mendigos do dia, recolhemos os instantes, apaixonados coleccionadores de falas e de perfumes, de promessas e desejos, de rotas e de inflecções. Em volta, o que se não vê é o que vai morrendo, o que efectivamente se perde.
-Fazes falta à primavera, pensei para comigo. Fazes falta à ave migratória que sem a tua voz de pássaro não consegue trazer-me o lendário das terras quentes. Fazes falta no aroma que tinham os serões, aqueles que nunca terminavam por serem intermináveis as palavras que deixavas.


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