O tempo não termina.
Anteontem assisti a uma peça levada a cena pelos alunos da Escola E.B 2,3 de Pevidém, da autoria do Dr. Santos Simões, integrada no festival de teatro amador da Póvoa de Lanhoso, uma iniciativa da Escola E.B 2,3 de Taíde. No meio de tanta agitação e alguma angústia nos últimos tempos, foi possível retomar o lugar do coração mais saudável e mais limpo e com isso permitir-me uma lágrima ou outra fruto de uma indizível alegria, baseada no curso justo que a História também proporciona. O Dr Santos Simões foi um enormíssimo português, um homem de combate pelos valores da justiça e do bem estar social, com obra feita em múltiplos planos e instituições. Foi comovente ver que, passados poucos anos da sua morte, meninos que o não conheceram pessoalmente levavam à cena uma peça sua, de um jeito intenso e comprometido com aqueles que forma os seus valores e as suas ideias.
Ao ver como desempenhavam a história de «Dom Parlatatão» apercebi-me de como a vida tem tantas vezes um correr certo e muito belo. Que riqueza maior ambicionaria Santos Simões? Que riqueza maior ambicionamos nós, para lá daquela da constatação de que jamais esmorecerá o ímpeto de justiça, de amor e de paz que desejamos para o mundo?
Há dias que valem por meses. Este foi um deles. Pude dizê-lo aos miúdos e aos seus professores, pude ter esse desabafo, essa forma de os tratar tão genuinamente pelo infinita expressão que me vem de dentro e que se chama camaradagem.


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