Pela liberdade.

Daqui a dias, regressarei a Paris na habitual peregrinação a um passado de onde recuso sair. Aterrarei já na era Sarkozy. Aterrarei na evidência de todos os perigos para os quais tenho alertado e combatido. As democracias fracas são a melhor proveta para as fortes ditaduras.
A ignorância das massas é o mais eficaz elemento de fraqueza das democarcias. Souberam disso, de modo hiperbólico, todos os ditadores. Sabem-no bem todos os saudosistas militantes.
Um corajoso homem de esquerda, que conheci, disse em 1975, num Portugal a ferver: não se iludam, não há nada mais reaccionário do que o povo. Revolucionárias são as elites.
Ainda hoje, é difiícil dizer isto à esquerda do mundo, quanto mais naquele tempo! Contudo, subscrevo a afirmação, sobretudo no que nela existe de análise à consequência da ignorância militante, reprodutora de preconceitos que, normalmente, estão ao serviço dos instalados e dos poderosos.
Quando chegar a Paris, respirarei fundo, descansarei sobre o século XIX, e voltarei de novo e sempre, pronto para lutar, para acrescentar ao mundo aquilo que as minhas forças permitirem no sentido de ajudar a criar cidadãos, ou seja: a criar liberdade.

