Procura.

Entro pelas ruas onde se esconde a beleza e a impossibilidade. Dou uns passos à procura do que nunca deixei de procurar e encontro.
Encontro um rio e uma rua. Ambos abertos, ambos com uma luz muito baixa, ambos a não permitir muito mais do que uma constatação do que foi a vida. E isso não é pouco. Não é nada pouco. Surpreendo-me com essa visão a espalhar-se ao final da tarde na rua e no rio que acabo de abrir no meu peito mais recatado. Fico por aí. Pergunto-me, converso-me. Dou comigo muito maior do que as coisas de que me vão dando notícias.
Tenho uma relíquia, uma espécie de filigrana interminável onde vou trabalhando até que eu acabe um dia, sem que ela acabe nunca. A tarde sucumbe a uma espécie de sono onde a noite entra e tudo é possível na imaterialidade dos sonhos.


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