Buenos Aires - viagem interior
A viagem sempre me questionou. Para onde vamos quando viajamos? O destino que decidimos é uma ideia nunca alcançada.
Esta tarde, em Fafe, esteve um dia nostalgicamente quente. Voltei a lembrar-me da minha velha vontade de ir a Buenos Aires, mas na verdade nunca chegarei a esse lugar, ainda que algures no tempo me meta a caminho.
A Buenos Aires que almejo já morreu ou só existe em mim e não é deste mundo. Na verdade, o que eu queria mesmo era entrar na sombra silenciosa de Borges, nos tangos de Piazzolla e de Gardel, ler o suplemento literário do El Clarin, sentir o calor das avenidas e descansar nos pequenos jardins dos bairros. Porém, isso só existe em mim e não nos lugares.
Esta tarde tive saudades minhas a desejar sair para esses não lugares que, mesmo assim, têm nome e uma certa materialidade iniciática.
Quando viajo quero sair para o meu dentro e a única garantia que se vai tendo é o facto das cidades serem uma espécie de ruína do que o olhar procura, instruído pela sabedoria livre do que sonhámos a vida toda.
Os lugares são um corpo avançado do que somos. Daí que, quando viajamos, se vá à procura dessa constatação e, de uma certa forma, da gratidão por estarmos vivos nesses nossos sítios.



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