A lição das plantas.
As estações são o melhor medidor de tempo enquanto existirem, enquanto nos marcarem a mudança da paisagem, dos paladares ou das sonoridades.
Temos a sorte de ter um pequeno jardim em casa e de o vermos transformar-se ao longo do ano. A atenção sobre esse manancial de vida é altamente recompensador.
Semeámos três ginkgos. Há anos que adormecem e acordam na nossa varanda, em versão bonsai, e nunca deixamos de lembrar que são fósseis vivos, uma espécie, com mais de 200 milhões de anos, que sobreviveu inclusive aos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki.
Nesse ritmo de tempo, rebentam também as azáleas que a minha mãe plantou e florescem as camélias do meu pai.
Em dia de mudança de hora, mudamo-nos vagarosamente para as nossas plantas e para a paisagem de vale onde nascemos.
Percebemos que, do mesmo modo, nos podemos contar nesta forma de vivenciar o tempo, que tão bem prova que não há dois segundos iguais, e que, de cada vez que nascemos e renascemos, somos sempre tão enraizados e tão novos quanto a lição das nossas plantas. Como elas, nunca perdemos identidade e nunca somos os mesmos após a enigmática passagem dos dias e a misteriosa cicatriz do tempo seguindo em frente.



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