A permanência das coisas.



Nos dias de Dezembro, a caminhar devagarinho, como convém, para o Natal, retenho na memória a melhor voz que conheço para as primeiras noites de frio, a de Nat King Cole.
Ontem à noite, espaireci fazendo doce de abóbora que, em tudo, é inferior ao que a minha tia fez e me ofereceu há dois meses.
Ando, normalmente fora de moda. Gosto de ser assim. Já assim era aos 16 anos, quando me vestia com roupa que a esquerda romântica vestiu uns 10 ou 20 anos antes de eu nascer.
Guardo das coisas o que elas têm de mais demorado. Encosto-me ao tempo, como os velhos se encostam às paredes viradas ao sol, sentindo um conforto idêntico.

- Quando podias sair de casa e olhar demasiado em volta, para quase tudo colheres em volta, sentias-te um bicho. Um bicho perfeito e agasalhado no conforto do seu lugar. Hoje, ainda procuras aí resguardo. É nesse trajecto que nos voltamos a encontrar e a saber um do outro. E quando nos vemos, percebemos muito bem que quase nada se perde, que o significado das coisas é sobretudo o resultado do que, existindo, fomos capazes de amar e que, por isso, nunca chegou a morrer.

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