A janela.

Há uma janela virada para a face inexistente das ruas. Demoro-me nela a ver tudo que já vi. Procuro aí a repetição impossível ou a explicação absurda da indesejada finitude. Pergunto-me sobre os trajectos, sem que isso doa. Mais diferente é quando pergunto pelas pessoas. Algum silêncio esvazia e ecoa a pergunta. Olho de forma reflexa para trás. Consegue-se sorrir e parar, por instantes, de perguntar. Contudo, quando olho em frente há sinais de que todos continuam. Dou uns passos, afasto-me da janela, torno-me de novo numa espécie de conformado, não sei se com a mortalidade, se com a imortalidade.


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