Bilhete para a tia Yvette

um breve beijo, para uma longa vida.
às vezes, é a terra numa coincidente
erupção com o historial da voz e do seu infinito;
descreve, onde toca, a lonjura e o ilimitado
sem deixar de ser rente e de a sentirmos
com a verdade dos bichos e o calor das tardes
de verões sucessivos.
às vezes, é uma velha árvore onde escondemos
e guardámos e da qual nunca saímos,
uma vez que daí se avistavam oceanos
e até as coisas que ainda não existiam.
às vezes, é tão real que da eternidade
terá corpo na compassada atitude
de sermos eternas crianças em seu colo
e disso depender o melhor que fizermos
ao mundo.


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