Dança de Natal.

Andei pelo Porto, à hora de almoço, a ouvir jazz dos anos 50, enquanto chovia e se abria sobre os passos a imagem surpreendente do frio e a salvação estética dos últimos dias.
Andei a abrir o Natal possível sobre a melhor arca de memórias urbanas, sobre os recantos tão antigos e tão à flor da pele da cidade que, como eu, é triste e expansiva, é suave e se ilumina apenas quando o dia se torna definitivo e inteiro.
- Dá-me o teu braço, fecha no meu corpo as primeiras palavras e não te esqueças nunca de dançar com a cidade o entardecer das árvores e da tua voz assim quente, assim baixa, a rasgar o frio, como os amantes mais eternos anseiam rasgar seus corpos.


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