Ao longe

Estava longe de tudo.
Do oriente chegavam-lhe um poema e uma chávena de chá.
Com isso, qualquer humano poderia ser feliz
bastando que em si existisse um céu próprio,
um bando de aves, uma ventania ou o correr de um rio.
Que desse céu distante pudesse diluir-se o olhar
mais emocionado e longo
e que daí se soltassem os instintos mais secretos
para que se ouvissem depois
onde só os deuses conseguem.
E um rio, um rio num corpo de passagem,
de travessia para o impossível,
de travessia para o que os dedos tocam
sendo só no que adivinham
que descobrem a foz do mundo,
o cair do dia ou o prazer que te rouba a evidência
para te entregar o amor.


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