Ano Europeu da Criatividade e Inovação - reposicionar o Eu e do Outro

Na sessão de abertura do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, o Prof Carlos Zorrinho referia a desvinculação desta iniciativa a qualquer imposição oficial ou oficiosa, emprestando-lhe uma certa brisa de liberdade que tão bem combina com as duas temáticas em comemoração.
O rasgo de levar por diante o sublinhado nestas duas dimensões temáticas, em toda a Europa, é um rasgo feliz e que, a ser devidamente implementado nas diferentes escalas (local, regional, nacional e europeia), gozará de um sentido de oportunidade que aproveitará às populações e poderá ser motor de saudável confronto com as questões do nosso tempo, no plano das artes e das novas tecnologias, mas também de um novo olhar, criativo e inovador, sobre as questões sociais, sobre o sistema democrático, as novas expressões de saúde económica e a tão urgente discussão e acção em torno das novíssimas regras da comunicação que, tal como evidenciou Don Tapscott na brilhante intervenção no CCB, estão a reconstruir-se e a criar sistemas identitários cada vez mais distantes de um tempo que se nos assemelha próximo, mas que na realidade, dada a vertiginosa transformação originada por esta nova eficácia comunicacional, já é um tempo distante.
Está, portanto, lançado o desafio aos cidadãos para se confrontarem neste ano europeu com a necessidade de emprestar à acção diária doses sustentáveis de criatividade e inovação de modo a que se assista à emergência daquilo que também deve ser um sinal de avanço civilizacional deste nosso tempo que é o da realização pessoal e do reconhecimento de cada um naquilo que faz.
O trabalho social (no seu sentido sociológico mais clássico e mais puro) tem hoje a hipótese e a obrigação de se valer de um sério investimento nestas duas áreas, reconhecendo que é por aqui que certamente se colherão os frutos de uma sociedade onde as diferenças sociais se esbatam de um modo mais substantivo, reorganizando o modo de fazer, o modo de pensar, mas também o modo de sentir dos seus membros.
A saudável utopia de tudo isto reside num ponto: o de centrar o desafio na realização e na afirmação plena de cada um, enquanto membro de um colectivo, tenha este a forma que tiver, mas reconhecidamente a caminho de um processo identitário mais forte e mais coeso.
Espera-se que esta nova era reconstitua a favor da Humanidade a relação entre o eu e o outro, estando cada um de nós convocado, como noutras eras, a decidir sobre o rumo e o horizonte de cada um dos nossos gestos.


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