Misérias.
.jpg)
Já sabes: a vida é um poço de mistérios. De águas difíceis, quanto mais superficiais se tornam ou quanto estejam mais à mão dos que nunca se reviram na grande oportunidade que é andar vivo.
As manhãs sucedem-se e nelas cabem a irrepetível luz, as sonoridades que nos referenciam, as memórias, as dores e as injustiças. Já sabes que é assim. Que sempre foi assim. Que é assim com quase toda a gente. Contudo, difícil mesmo, é lidar com a pequenez do mundo, com a miserabilidade alheia, quando dela se sabe que é escolhida e desejada.
Talvez por ser crente me custe tanto perceber a aceitação da miserabilidade. A miserabilidade nada tem que ver com economia, mas com estados de alma, com decisões e com atitudes. O verdadeiro miserável é o que fica, o que mora e cultiva o lado obscuro do tempo, aí se erguendo e erguendo em seu torno a imoralidade do contraste.
Digo-te isto porque sabes bem o quanto tem custado somar misérias e miseráveis e admitir que neste ponto não existe um ponto de fuga de modo a que a vida se confine ao que descobrimos puro e ao que nessa simplicidade decidimos erguer.


Comentários