As tardes de Maio.


As tardes de Maio a fazerem desaparecer o inverno, a levar-nos para sempre a última oportunidade que tivemos de haver frio e sermos íntimos, no ano que ainda corre.
As tardes de Maio, ao domingo, com coisas que se abandonam para fazer outras coisas que servem sobretudo a idade interior e para a qual não deve haver resistência que lhe cause danos maiores por força de uma imposta indiferença ou medo.
As horas circulam pela nossa vida como o vento circula pelas montanhas, arremessando coisas, suavizando outras, às vezes refrescando o dia, outras denunciando temores ou realçando a beleza, tudo sem que se veja, mas sentindo-se plenamente.
As horas passam pela nossa vida e difícil mesmo é colher delas a verdadeira dimensão, saber o quanto são únicas e o quanto serão sementes de alguma coisa naquilo que não é só nosso, nem é só deste nosso tempo.
As tardes de Maio, a morrerem muito devagar sobre o olhar sereno, como deveriam ser todas as mortes, todas as formas que Deus encontrou para nos fazer começar uma nova etapa no que não conhecemos, mas que temos destinado como parte da missão, essa sim a maior pergunta que a nossa luz e a nossa cruz não saberão, por enquanto, responder.

Comentários

Mensagens populares