A paz invernal.

A incursão num imaginário de luz branda e de frio aceso deixa no dia a esperança de haver alguma reserva de felicidade para o Inverno que se aproxima.
Às vezes, distanciamo-nos do mundo, ou porque o tempo não chega para estarmos em vários mundos, ou porque aqui e ali a desilusão e o cansaço tomam conta do momento. Seja por que razão for, a distância, nestes casos, é sempre dolorosa e prejudicial. Daí que milite em combater os factores e tente a todo custo retomar o tempo que se foi perdendo sem registo.
A incursão no meu velho imaginário de Inverno afasta bestas e bestialidades, afasta metodicamente tudo e todos quantos são uma espécie de ruído e de imperfeição àquilo que o espírito sofrido e empenhado foi capaz de construir ao longo dos tempos. Acredito que há uma espécie de lógica marxista que assiste a cada um: a paz a quem a trabalha. Se há trabalho pelo qual me deve ser destinado um pedaço de chão é aquele que desenvolvo em função do equilíbrio entre os que amo e os que amam.
Neste Inverno, volto à exigência do silêncio e à imperativa necessidade de ser apenas o universo e as suas forças a levantarem a voz, a construírem as tempestades.


Comentários