Madrugada de sempre.
Como há muitos anos, inicío a manhã na sessão comemorativa da Câmara de Fafe, saudando a bandeira dessa pátria livre e limpa, lembrando a meninice e o tempo em que éramos muitos mais, em que ainda estavam vivos grande parte dos que deram força e sentido ao que se comemora. As manhãs de cada 25 de Abril a abrirem no meu peito a imprescindível madrugada, a mais poética e profunda marca que a História do meu país deixou ao mundo.
Nunca como neste dia, sinto Portugal tão grande e tão universal. Nunca como nesta manhã recomeço tudo e tenho a ingénua e generosa vontade de tudo poder melhorar.
Não há, para mim, data na História dos Homens que tenha alcançado tão elevado grau de liberdade, de alegria e de essencialidade partilhada.
Se me pedissem para definir a poesia, bastaria apontar para os sorrisos que nas praças de Lisboa se espalharam, bastaria mostrar Salgueiro Maia, o eterno capitão, o eterno sonho, porque imaculado, porque fiel, porque direito e puro ao coração dos Homens que ainda virão.
Se me pedissem para definir a poesia, abriria uma janela sobre o meu país acabado de nascer, sabendo bem do doce veneno aí contido, do destinado amor, do irredutível ímpeto pelo que move e moverá a humanidade que importa, que perdura e que seguirá.
Quando abro essa janela sobre o meu país acabado de nascer e que é da poesia o seu corpo, comovo-me, comovo-me sempre, por ter a noção clara de quanto riqueza reside naqueles que com tal visão e tal entendimento foram bafejados.


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Abraço
Pompeu