A fuga.
Quando, há trinta anos íamos a Espanha, os pais compravam uma garrafa de Pedro Domeq e conversavam em seu torno, durante os serões de quase todo o inverno. Quando há trinta anos íamos a Espanha, os pais davam-me caramelos e chocolates e eu dava a mim mesmo o infinito prazer de não ser dali, de ter um país para regressar, mas sobretudo de conhecer um lugar onde se tornava possível o desenho das mais belas fugas, de ser parte de um corpo tão irresistível como o da estranheza.


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