Place de Brouckère


Há músicas que nos acompanham as estações do ano. O Jacques Brel costuma ouvir-se cá em casa em dias cinzentos entre o outono e o inverno. Hoje, veio-me à memória os tempos em que finalizava as tardes ou jantava na Place de Brouckère com as suas canções em mente e a trautear a animada canção  “Bruxelles“, num tempo em que “Bruxelles bruxellait”.

Aquela praça, ao final do dia, com as pessoas a tomarem um aperitivo na esplanada do Metrópole e a sentir-se o íntimo regresso a casa de outras que não paravam,  mas que tinham um destino e alguém à espera, contrastava com a minha assumida e alegre solidão.


As cidades que da nossa se distanciam constroem-lhe o alicerce mais fundo. Quando a lonjura nos toca,  aprende-se melhor o que nos fica da origem e o que  disso nos sobra de verdade e de essencial. Nesse encontro de mundos erguemos o cais onde nos vamos ancorando. Um cais entre o caos e a ordem das nossas melhores perguntas, aquelas que nos perpetuam em lugares e instantes, porque só perguntamos por aquilo que realmente nos importa.


Nesta tarde cinzenta, voltou a soar-me esta canção de Brel e o tempo vivido sob a revelação das coisas essenciais. A cada dia, a missão de encontrar o que nos fica,  para lá do bom e do mau esquecimento. 

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