Place de Brouckère
Aquela praça, ao final do dia, com as pessoas a tomarem um aperitivo na esplanada do Metrópole e a sentir-se o íntimo regresso a casa de outras que não paravam, mas que tinham um destino e alguém à espera, contrastava com a minha assumida e alegre solidão.
As cidades que da nossa se distanciam constroem-lhe o alicerce mais fundo. Quando a lonjura nos toca, aprende-se melhor o que nos fica da origem e o que disso nos sobra de verdade e de essencial. Nesse encontro de mundos erguemos o cais onde nos vamos ancorando. Um cais entre o caos e a ordem das nossas melhores perguntas, aquelas que nos perpetuam em lugares e instantes, porque só perguntamos por aquilo que realmente nos importa.
Nesta tarde cinzenta, voltou a soar-me esta canção de Brel e o tempo vivido sob a revelação das coisas essenciais. A cada dia, a missão de encontrar o que nos fica, para lá do bom e do mau esquecimento.



Comentários