O tempo.
Estávamos à espera do tempo
e não sabíamos. Éramos inocentes
de todas as mortes
e, contudo, éramos tão seus filhos
como da vida.
Olho-te ao longe e sei que ainda vives
e aí percorres as tardes em correria,
até que a avó te chame para lanchar
como se fosse possível pausar o tempo.
Mas não é.
Avisto-te ao longe e continuas a criança viva,
sem mortes.
Eu é que jamais te voltarei a encontrar
e a olhar-te nos olhos
com esse desconhecimento
de quando éramos o mesmo e não sabíamos.
E esta é a única beleza
que consegui encontrar
na forma tão nossa de ir morrendo,
por vivendo termos ido.



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