Entre as flores de Hockney e Chagall.
Era de tarde. A luz solar evidenciava a solidão de agosto nas ruas desertadas pelos que se fizeram veraneantes.
Tinha nas mãos, que do coração pendiam, as flores, a solidão dos amantes a pairar sobre a vila.
Tinha a memória das luzes a invernar a paisagem do amor, numa livre afronta às bestas que o amor nos outros sempre queriam sufocar, mortos vivos que a ignorância reinventa.
Era de tarde. Talvez até fosse tarde.
Tardio o gesto que entregava essas imaginárias flores tão prontas para a celebração do olhar, tão longas quanto a certeza de alguma vez terem de ser últimas por humana finitude.
Flores tardias, por se terem demorado a nascer para o que nascer servia.



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