Outono.
Foto PMM - Fátima
O outono traz-me. Tem a brevidade dos extremos mais suaves. As cores mais passageiras, porém intensamente a marcar o que se aprende do movimentar das paisagens.
Um dia decidi que iria andar pelo mundo. Um dia decidi que não pertencia a um só lugar que não fosse pátria no meu peito. E no meu peito guardo as pátrias onde espalhei o meu espanto.
O outono traz-me. Há uma terra que não existe e onde é quase sempre outono. Estamos por aí à espera de morrermos. Somos uma árvore, mas a mais bela. Por momentos esquecemos. Esquecemos só para sabermos alguma coisa sobre a saudade, assim que voltamos a lembrar. Por momentos, sabemos que a vida é um circulo, mas também que a nossa grande missão está em conhecer o ponto no qual decidimos que as extremidades se hão-de tocar, para se cumprirem para sempre.


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