Exílios.

Foto PMM - Fafe


Há um dia em que se regressa a casa. E a casa é uma cidade. Cheia de estranheza, de desconhecidos, de canções que não nos conhecem o coração, de poemas que não sabem do nosso olhar, de ventos que nunca nos passaram pelo rosto. Há um dia que se regressa para sentir esse cansaço e parar como param os velhos sobre a imagem do sol de inverno. Parar para entender, para rasgar frinchas num qualquer ponto onde nos possamos ver, nem que seja a meio de uma fuga ou de uma partida. Um pedaço onde se possa começar.
Há um dia em que sabemos que nunca se regressa porque o regresso não existe. O que existe é a percepção da viagem em nós e nos outros. E a viagem é uma história. E a humanidade é uma história. E a cidade é uma história. Há um dia em que tens um país no coração e não sabes. E nesse instante ouves uma canção, um poema, uma certa ventania, e então percebes que, fujas para onde fugires, andes por onde andares, nunca chegaste a sair do coração.

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