Tarde no terraço
Por vezes, a tarde foge-me do tempo. Os meus filhos andam a ver a série de desenhos animados do Marco, que eu vi quando era pequeno. No terraço, abro o guarda-sol, levo um chá de roíbos, amêndoa e pimenta, ponho o Carlos Gardel a tocar, e uma certa perfeição desce sobre aquela hora, no meu coração eternamente viandante, resistente à pequenez do mundo. Trago a Argentina para a minha tarde, o inverno daquele miúdo a quem a mãe deixara para emigrar, marcando encontro com o miúdo que também fui e que foi gerindo a música que às vezes não vinha e as perdas que não teve por não chegarem a haver conquistas.
Mudo-me com um chá e um tango para a Argentina e divirto-me com o verão íntimo e magnífico de ter os filhos por perto, um amor tão de pássion como o mais impressivo tango, uma família que nunca emigrou e a agradável impressão que para se ser feliz não é preciso muito, basta que se não abdique de viver, ou pelo menos de o querer fazer.



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O meu primeiro encontro com a poesia da Sophia Mello Bryner deu-se no consultorio do dentista, enquanto esperava para ser atendida. O Vasco Graça Moura estava a falar na televisão sobre a sua vida e obra, desde essa altura sempre que posso leio algo escrito por ela.
Do poema
VARANDAS
Noutra varanda assim num Setembro de outrora
Que em mil estátuas e roxo azul se prolongava
Amei a vida como coisa sagrada
E a juventude me foi eternidade
Este quadro está muito inspirador oriental com os carateres e porque não marinho
Gosto muito de chá, hummmm, que bom
vou beber um de tilia ou cidreira os meus preferidos
E pronto, obrigada por me deixar usar o seu espaço
Fique bem