Mudar


De partida para Ghent, para a 1ª Convenção Europeia destinada a profissionais na área da Juventude. Há uma bagagem que nunca desfazemos, aquela a que sempre acrescentamos quando aprendemos algo de novo. Essa vai sempre mais vaga e vem sempre mais composta. A esperança nestes eventos é de trazer uma peça mais para ajudar a mudar as coisas para melhor. Na verdade, estas convenções valem pelos exemplos que se trocam e pela forma como isso se faz. Os modelos de participação, estão muito diferentes daqueles que se usavam há vinte anos. Esta não será uma convenção de oradores e de discursos, será um momento de trabalho entre todos, tentando que daí resulte uma experiência rica e sobretudo reprodutível.
O tempo dos discursos foi um tempo de algum desbaratamento de oportunidades. Bastava o esforço de um, o orador, e a passividade dos restantes para que houvesse um momento. Hoje, quase ninguém acredita neste modelo, sendo a actividade uma exigência que se aplica a todos os participantes. Ninguém se desloca para ouvir, mas para construir. Ninguém vai só para receber, mas também para dar. O tempo da unidireccionalidade da comunicação acabou. E ainda bem. O século XXI será marcado pela percepção generalizada de que o trabalho feito em comum é aquele que garante à partida um factor de ganho, por estarem envolvidas desde logo mais do que uma parte.
De partida para Ghent com a noção de que nunca se pode deixar de querer mudar o mundo e a certeza de que a cada um de nós cabe uma parte, por mais pequena, por mais apaixonada, por mais resistente, a parte que não cabe a mais ninguém.

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