A EXPOSIÇÃO DO DR LOPES DE OLIVEIRA
Por estes dias, fui à Biblioteca ver a exposição que CarIna Faria coordenou acerca do espólio e percurso de vida do Dr A. Lopes de Oliveira. A ideia de mostrar este Homem às gerações que o não conheceram pessoalmente e dar aos que o conheceram o privilégio de retomar o contacto com objectos pessoais, desenhos e fotos que foi guardando é, no mínimo, justa e inteligente.
Para Fafe, este «escravo das letras» foi uma estrela, uma espécie de estrela cadente a quem se pedia um desejo e ele, com aquele seu coração maior do que o mundo, ajudava a que tal acontecesse, ensinando o que sabia, entregando-se sem reservas, amando sem limites. Confesso que tenho imensas saudades dele. Saudades de ver um Homem que era o seu próprio sonho, saudades da sua voz rouquelha a aquecer a frieza dos nossos dias e a inflamar a nossa vontade de mudar o mundo. Tenho no meu escritório uma foto sua, há muitos anos, e tenho-a como tenho as dos meus familiares mais chegados e mais queridos. Emociono-me de quando vez ao vê-la, por me apetecer, e me fazer uma falta imensa, voltar a ouvi-lo e com isso recarregar baterias para conseguir mudar as coisas.
O Dr Lopes de Oliveira foi um milagre nas nossas vidas. O comunista mais apaixonado e praticante que conheci. Ao pé dele, até era desconfortável não se ser comunista, porque ele era o próprio ideal, o ideal que não foi traído por qualquer vulgata ou máquina de Estado. Com ele existia o comunismo de facto, pelo seu desapego às coisas materiais, pela sua capacidade de dádiva, pela forma como sentia efectivamente que as pessoas eram iguais e mereciam oportunidades iguais. Todos os dias ele era assim. Todos os dias nos educava desta forma. Quem poderá substituir um Homem assim? Não sei.
Esta exposição que esteve patente na Biblioteca tocou-me muito por tudo isto. Ainda bem que existiu, ainda bem que a Carina se lembrou dele e, na forma de exposição, devolveu-nos por uns dias o velho Lopes de Oliveira, devolvendo-nos os tempos felizes que tivemos a sorte de viver com ele e de manter para sempre na parte do nosso coração que mais aprendeu e que mais aberta está para se inquietar com o mundo.
Ele fazia anos a 31 de Março. Uma vez, a D. Odete, mãe do meu amigo Pascoinho, fez um bolo de bolacha para que com ele festejássemos o seu aniversário no jornal STOP. E assim foi. Ele lá veio e lá bebemos champanhe e comemos o bolo. Quando tenho saudades dele, peço um bolo de bolacha no restaurante, dou um golo no vinho e sempre me lembro que, esteja ele onde estiver, saberá como o amor tem destas particularidades: quando é genuíno, também é infinito.
Para Fafe, este «escravo das letras» foi uma estrela, uma espécie de estrela cadente a quem se pedia um desejo e ele, com aquele seu coração maior do que o mundo, ajudava a que tal acontecesse, ensinando o que sabia, entregando-se sem reservas, amando sem limites. Confesso que tenho imensas saudades dele. Saudades de ver um Homem que era o seu próprio sonho, saudades da sua voz rouquelha a aquecer a frieza dos nossos dias e a inflamar a nossa vontade de mudar o mundo. Tenho no meu escritório uma foto sua, há muitos anos, e tenho-a como tenho as dos meus familiares mais chegados e mais queridos. Emociono-me de quando vez ao vê-la, por me apetecer, e me fazer uma falta imensa, voltar a ouvi-lo e com isso recarregar baterias para conseguir mudar as coisas.
O Dr Lopes de Oliveira foi um milagre nas nossas vidas. O comunista mais apaixonado e praticante que conheci. Ao pé dele, até era desconfortável não se ser comunista, porque ele era o próprio ideal, o ideal que não foi traído por qualquer vulgata ou máquina de Estado. Com ele existia o comunismo de facto, pelo seu desapego às coisas materiais, pela sua capacidade de dádiva, pela forma como sentia efectivamente que as pessoas eram iguais e mereciam oportunidades iguais. Todos os dias ele era assim. Todos os dias nos educava desta forma. Quem poderá substituir um Homem assim? Não sei.
Esta exposição que esteve patente na Biblioteca tocou-me muito por tudo isto. Ainda bem que existiu, ainda bem que a Carina se lembrou dele e, na forma de exposição, devolveu-nos por uns dias o velho Lopes de Oliveira, devolvendo-nos os tempos felizes que tivemos a sorte de viver com ele e de manter para sempre na parte do nosso coração que mais aprendeu e que mais aberta está para se inquietar com o mundo.
Ele fazia anos a 31 de Março. Uma vez, a D. Odete, mãe do meu amigo Pascoinho, fez um bolo de bolacha para que com ele festejássemos o seu aniversário no jornal STOP. E assim foi. Ele lá veio e lá bebemos champanhe e comemos o bolo. Quando tenho saudades dele, peço um bolo de bolacha no restaurante, dou um golo no vinho e sempre me lembro que, esteja ele onde estiver, saberá como o amor tem destas particularidades: quando é genuíno, também é infinito.



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