O compromisso

Pintura de Maria Helena Vieira da Silva

Teria que trazer para o mundo uma mão cheia de palavras, ordenadas à medida do meu sangue. Teria que as trazer para manter dignas as manhãs que me ensinaram tanto. Para manter livre a tristeza que me fez crescer tanto. Para manter livre a solidão que me ajudou a amar tanto.

E quando me perguntam por que escrevo. Apetece-me dizer que escrevo por estar ali. Por ser ali. Por não querer morrer ali, nem deixar que aquele instante sucumba. Mas, esta resposta, tão verdadeira, faz-me pensar que esta vocação da escrita parece ter alguma coisa de mal resolvido com Deus, dada a obsessão ininterrupta de estar sempre a criar alguma coisa, ainda que a não escreva de pronto. Por outro lado, também me parece que esta resposta poderia ser uma das mais bem conseguidas orações dado aproveitar cada instante desta tão curta vida para marcar o coração alheio, fruto das marcas do coração que Deus me deu.

Comentários

Anónimo disse…
Penso, logo escrevo,tudo no feminino. Mas às vezes saem letrinhas pela boca e pelos pontas dos dedos, que chego à conclusão que o melhor seria ficarem por dizer. É assim a vida, eu bem que gostava de ser simples como as pombas e prudente como as serpentes. Esta coisa de ser humana e ter o livre arbitrio e não conseguir dominar o ego, é uma chatice
Cordiais saudações

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